2.9.05

Desafio!




Postado por Leonoretta e Chama-se

"Entre Parêntesis",

mas podia ser a "História da Carochinha, Sec. XXI":

Ana varre o chão do corredor e enquanto varre acha no meio da poeira, não cinco réis como a Carochinha, aquele insecto cleóptero de grande porte, da história popular do João Ratão cozido e assado no caldeirão que eu, só de pensar neste último a afogar-se dentro da sopa, supostamente de feijão encarnado, as entranhas revolvem-se-me de tal modo que me contenho, obstinadamente, para suster a expulsão repentina pela boca das substâncias do estômago.

Mas… voltando atrás!

… Ana acha no meio da poeira, não a tal moeda, a qual ela gastaria num ápice em bugigangas da Parfois, a fim de se enfeitar e arranjar um noivo falsamente desatento às novidades de livros e discos nas prateleiras da FNAC…

Ah! Os tais parêntesis, as frases que se metem de permeio num período portadoras de um sentido à parte e que eu abro indefinidamente…

Dizia eu…

…ideias, Ana acha ideias no meio daquela poeira, para arremessar no teclado do seu computador dispostas em composições poéticas formadas por quadras, tercetos, dísticos ao sabor da sua faculdade criadora.

Porém, entre um e outro varriscar, e não tendo um bloco de notas pregado no cabo da vassoura onde possa ir apontando o ajuste de palavras surgido na metáfora perfeita, Ana perde quase todo o poema.

Varre todo o corredor. Ainda corre para o PC. Liga-o numa pressa arrebatada de querer pregar na folha branca as palavras que lhe restam na memória inspiradas pelo “fru fru” da vassoura… frufru ou vrr vrr? Frufru penso eu, afinal a onomatopeia não é exclusiva dos vestidos de seda, do rumor das folhas das árvores ou do bater de asas dos pássaros durante o voo.. não, eu não me perco no raciocínio…

A ideia poética da Ana, perdeu-se mesmo. Ela sai para a rua frustrada na sua insuflação divina.

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Caro leitor, empaquei. Empaquei como os burros. Acontece a muito bom escritor. Não consigo dar um desfecho aqui ao drama da Ana… tenho pena mas não consigo. Perdi a inspiração. Diga-me lá que culpa é que eu tenho?
Olhe… ó caro leitor… porque é que não me ajuda? Hein?
Desde já lhe digo que vou ficar-lhe muito grata por me ter auxiliado.

da Leonor
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Em resposta, eu escrevi:

Ana, desapontada, pousou a vassoura e foi passar a ferro.
Logo na primeira camisa encontrou o "Mote": SERENIDADE...
ficou a pensar mas nada mais lhe ocorreu. Ao fim da tarefa ainda pensava.
Arrumou o ferro e a tábua e na prateleira lá estava: o 1º verso:
NO ONDULAR DO VENTO A BRISA SE ENAMORA...
Já mais animada foi fazer o jantar e no cantar da sopa, que fervia, ouviu distintamente o 2º verso:
COMO LIBELINHA POR CLARO TREMELUZIR!
Ana continua hoje à procura do resto do poema e assim vai continuando a varrer, a passar e a cozinhar...

beijoka para ti, Leonor,
da th

4 comentários:

Leonoretta disse...

theo, theo
és adoravel. gostei muito deste teu gesto. significa que gostaste da historia o que muito me orgulha.

mas eu vou fazer um post com todos os finais. todos foram optimos e a participaçao linda.

beijinhos da leonor

Sh disse...

Leonor, parabéns. Gostei demais! Que bem traduziste o problema de tanta carochinha que por aí vai varrendo cozinhas. Th, como sempre aquela sensibilidade que me deixa zen, como diria o ZP. Xi às duas

Mocho Falante disse...

Mas quando será que esta Sebenta me deixará de surpreender????

Deus queira que nunca!

Mitsou disse...

Como também empanquei, faço minhas as palavras do Mocho. E deixo um beijinho muito grande para as duas! Quando há talento, é o que se vê...:)