9.11.10

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


Presente de aniversário

ou talvez não...

Caminhava como se não pousasse os pés, não sentindo a calçada...
A roupa, colada ao corpo suado, angustiava-a, sem peso e sem côr...
Olhava em frente, sem sentir o ar em volta de si, nem os outros.
Anestesiada de agonia, notícia há pouco divulgada:
ela tem câncer...ela só tem uns poucos meses de vida...
Agora que finalmente a encontrara, a perdia...
a sua mãe, aquela que a pariu numa manhã chuvosa e sem esperança de luz.
Ficara entre lençóis de monograma impresso a tinta marron,
a sua mãe, aquela que numa manhã sem Sol a dera para o mundo,
a dispensara como um fardo que não se pode carregar,
tamanho o peso e a desgraça...
Finava-se a sua mãe, a que dera o sopro da vida, mas não a vida madrasta
que tivera...
Caiu de joelhos, na calçada, depois todo o torço se curvou,
em oração!

6º ANIVERSÁRIO


Há exactamente 6 anos eu escrevia aqui:

9.11.04

a minha sina

Isto é sina minha...não lhe chamo praga por que é uma andança engraçada esta de seguir sempre, desde o dia 3 de Janeiro deste ano, atrás do Sr. Gil...
Só queria mesmo fazer um comentário no seu novo Xicuembo e eis que me vejo metida em "assados"...
Olha já estou como o outro- se já está ...deixa estar, depois logo se vê...lol.
Não sei se ainda existem sebentas, aqueles caderninhos onde se faziam os rascunhos antes de passar a limpo em letra cuidada e correcções feitas, redacções ou trabalhos da escola. Pois, de qualquer maneira, assim vai ser.
GENTE VAMO-NOS DIVERTIR!

26.10.10

Quando...

Quando eu morrer!
quando eu morrer gostaria de ter tomado banho e cheirar bem...
ter posto desodorizante e cortado as unhas dos pés e mãos,
quando eu morrer gostaria de ter tomado as disposições de modo a não causar danos...
quando eu morrer gostaria de ter dito àqueles que amo...que os amo,
e ter ouvido, pelo menos uma vez, que eles me amam também...
quando eu morrer ter deixado pelo menos uma palavra de que alguém se lembre.
Quando eu morrer quero sorrir, para que os que me virem saberem que a vida me foi aceite...
Quando eu morrer quero deixar um testemunho, que a vida é apenas o palco das nossas acções.
Veste o personagem daquilo que quiseres...
Quando a cortina descer...aqueles que estiveram a teu lado no espectáculo da vida possam dizer
"Ela deixou-nos um testemunho que guardaremos nos nossos corações...amai-vos! tudo o resto é pó..."

27.5.10

Foi no dia da Mãe!

Embora com muito atraso aqui vai a foto de quatro gerações de mulheres da mesma família:
Temos pois nada mais, nada menos do que uma bisavó, duas avós, três mães, uma bisneta, duas netas e três filhas...lol

24.3.10

MATILDE

Neste lindo dia de Primavera, 23 de Março de 2010, pelas 8,40 horas, nasceu Matilde, a minha bisneta tão esperada.
Numa 3ª feira, 23-3, pesando 3,630 kg, no quarto 513.
Há quase 30 anos que não nascia uma menina na família, só netos e bisneto rapazes, por isso o rosa tem sido a nossa côr de eleição.
Estou sem palavras, mas não queria deixar passar este dia sem partilhar esta bênção.

28.2.10

Águas Tristes


Hoje, na Marginal, à volta de um almoço de "cozido", junto à Parede

25.2.10

Alegro



Aqui está ele, o meu último brinquedo, não há como continuar a brincar para nos sentirmos vivos




10.2.10

Por Entre os Narcisos...






...Cavalo À Solta


p+


...à procura da ternura

9.2.10

NARCISOS!

A foto tirei hoje, com o telemóvel, o "poema" foi escrito em 25-04-1971 por mim.
O que podem fazer amores impossíveis..., como os narcisos, só duram o tempo dum poema.

Narciso nasceste,
Mais belo cresceste,
Narciso vieste!
Mais belo ficaste,
Narciso te achei.
Tão triste te foste.
Tão belo e tão triste…
Narciso morreste.



6.2.10

"Alguém me contou..."



" O Regresso dos Demónios"

...era quarta-feira...os monstros da semana chegavam devagar, os sons, os gestos, as dores...

( continua no
Postado a Limpo )


5.2.10

A Rosa Lobato de Faria


Numa singela homenagem a uma Senhora que nos deixou,

uma canção que ela escreveu, pouco conhecida, e que me foi oferecida por um amigo, que a canta, em fado.

(Foi tirada directamente do CD, motivo pelo qual a pontuação e métrica podem não estar correctas, e peço desculpa.)



ROMEIRO

Romeiro fui de terra em terra,
De bar em bar de porto em porto.
Andei no Mar, andei na guerra.
De mão em mão, de corpo em corpo.

Pisei salões, caí na rua.
Estive no Paço e na prisão.
Dias com Sol, noites sem Lua,
E não achei consolação.

E agora apenas quero Paz,
Olhar p’ra trás
Dizer Adeus.
E ver a calma que persigo,
Em paz comigo
Em paz contigo
Em paz com Deus.

Perante o mal, fiquei inerte.
Tive um punhal, não ataquei.
Andei cansado de perder,
Tive um amor e não me achei

Ninguém me disse quem eu era
Nem porque vim aqui parar.
Passei a vida à tua espera
Quando te vi não soube amar.

E agora apenas quero Paz,
Olhar p’ra trás
Dizer adeus.
Viver a calma que persigo,
Em paz comigo
Em paz contigo
Em paz com Deus.

Lembrando...


A sua benção, meu pai!
Faria hoje 102 anos.
Tal como minha mãe, aquário de signo, como eu.

27.1.10

Subtis Lembranças



(Foto minha com o avô Eduardo)

Foram as palavras certas, como uma chave que abrisse o passado cheio de ferrugem.
Rangeram as palavras aprisionadas num resignado esquecimento,voltaram os tempos das lembranças, os 30 e 40, os da minha meninice.

Teria quatro, cinco anos? o avô materno, homem sereno de voz tranquila, tinha morrido.
Sempre me lembrava dele sentado numa cadeira ao pé da braseira na loja de minha mãe, ou à fornalha da oficina onde batia chapa.
Os pais decidiram levar-me para casa da minha avó paterna nos primeiros dias de luto, fazia-se uma mala com a roupinha necessária, em cima duma cadeira junto à porta do quintal.
Poucos dias antes minha mãe comprara-me uns "soquetes" de uma das cores do arco-íris, vermelhas ou amarelas, disso já não me lembro, fui buscá-las e coloquei-as na mala, mas a mãe disse que aquelas eram muito garridas e nós estávamos de luto (as crianças naquela época vestiam de negro também) e voltou a metê-las na gaveta.
É a lembrança mais antiga, SEI exactamente onde voltei, sorrateiramente, a esconder os soquetes, escondidos debaixo da roupa, na mala que estava em cima duma cadeira, junto à porta do quintal.
Não esqueci também o sorriso meigo de minha mãe, que tudo viu, e deixou que uma das cores do arco-iris fosse mais importante do que o negro do luto, afinal eu era uma menininha e tinha muitos anos pela frente para ter saudades do olhar meigo do meu avô, que espreita agora através do sorriso do meu filho.

Modestas palavras estas que dedico a quem me fez lembrar e escrever a mais antiga lembrança duma vida já longa de quase 77 anos,
para ti "bettips", com um beijo,
theo

24.1.10

A minha Mãe



Faria hoje 100 anos, a minha mãe.
e no meu coração, com muita saudade,
acendo a lamparina

a Santa Rita, de quem era devota.

21.1.10

Reflexão

Estou triste...realmente triste!
como é possível que depois de tantas coisas minimamente interessantes eu possa ter deixado mumificar as ideias, o poder criativo, a transmição de vivências e pensamentos!!!
Encolhi em mim mesma, virei-me para dentro, como caracol açoitado.
Vejo telenovelas em que o meu sentido crítico me diz que são tristemente inferiores à minha procura intlectual de alimento.
Faltam-me as conversas com amigos que me podem enriquecer...
Interiorizo os sentimentos que podiam dar voz a textos interesantes e enriquecer aqueles que podiam estar dispostos a olhar...
Prometo a mim mesma dar a volta, respirar fundo e voltar à luta, mas continuo a passo lento, encolhida em mim mesma, em posição fectal...
Nada prometo, apenas que estou atenta.