17.8.05

3º capítulo

A Auditoria

M. da Graça, agora já quase desperta, começava a reparar o quão estranho era tudo, a começar pelas roupas de Ana Rita, e o carro, de quem seria aquele carro, velho e sujo…nunca vira a amiga tão descuidada, ela que era impecável em tudo. Casaco e calças de ganga, cada um de sua cor, um chapéu de homem bem enterrado na cabeça, onde os cabelos foram apanhados e escondidos. -De quem é este carro e porque estás vestida assim? -para disfarçar, para disfarçar, não vês que eu não quero ser reconhecida…o carro pedi emprestado e deixei o meu, com a condição de o passarem numa portagem do sul, para fazer de prova. O dia começava a clarear e Ana Rita colocou óculos escuros para finalizar o disfarce. M. da Graça ia dormitando… -Porque paramos? -só me faltava esta…é a polícia e eu que não tenho os documentos, raio de vida… Ana Rita começou por fazer charme e tocar um choradinho, tinha uma pessoa de família muito doente, o carro era emprestado e esquecera-se de pedir os documentos. O agente quis ver tudo, triangulo, pneu sobressalente, luzes…Ana Rita começou a ficar irritada, já atirava com as portas e ele só lhe aconselhava calma, os documentos acabaram por aparecer, estavam no porta-luvas, como era de calcular, mas entretanto já Ana Rita discutia com o polícia e só se conteve porque queria seguir viagem o mais rápido possível. Perderam meia hora e por pouco não ficaram detidas por insulto à autoridade, pois Ana Rita perdeu as estribeiras quando o agente lhe pediu para ver a água do limpa pára-brisas, pois se ela nem sabia como abrir o capot…
O agente era da nova escola, pacientemente ajudou-a e de dentro do carro M. da Graça, espantada, viu-os rir e trocar papeis.
Acreditas que o gajo até me convidou para a quinta dos pais, lá no norte, perto da fábrica? Eheheheh
Estava destinado, Ana Rita foi apanhada pouco mais tarde a conduzir a mais de 140km/h, e desta vez não houve tratamento meigo, a multa era mesmo para pagar.
Chegadas a Braga hospedaram-se numa pequena Pensão, numa rua escusa, evitando assim os hotéis onde Ana Rita era já conhecida cliente.
No escritório do advogado foram logo introduzidas no gabinete do mesmo, que as esperava.
M. da Graça ficou a saber para o que ali estava e quais os procedimentos adequados para obter as informações de que necessitavam para uma acção judicial, se a mesma se justificasse.
De posse dum documento que lhe dava acesso a tudo que dissesse respeito às finanças da firma, M. da Graça, mandatada por um hipotético interessado, começou no dia seguinte a "vistoria".

1 comentário:

Mitsou disse...

Continuo a ler. Encantada. E agora vou para o andar de cima. Até já :)