1.4.07

Terras de Água




Hoje, dia das mentiras, dia dos enganos, faz 35 anos que deixei a minha terra e vim morar para Lisboa.
De Paranhos, no Porto, para Miraflores.
Estávamos em 1972 e já sentia em mim uma espécie de revolução interior que me levaria mais tarde, em 74, a cortar amarras e a assumir a mulher que existia dentro de mim e que sou hoje.
No meio do caos que se instalou na minha casa com toda a mudança que tinha de ser feita duma só vez para 300 quilómetros a sul, o desespero tomou conta de mim e foi em pranto que deixei tudo para trás a caminho da capital, no meu Fiat 600, apenas com os meus arranjos de flores.
Renasci nesta cidade, mas não por causa dela, a força veio de dentro, duma urgência de viver que apenas estava adormecida em mim.
Terras de Mar, ali nasci, cresci, fui criança, adolescente e jovem mãe, aqui avó e bisavó, aqui respiro os dias, aqui esgoto as horas…

30.3.07

à Guia

O Mar é sempre o meu destino e a minha procura.
A caminho do Guincho não posso faltar ao meu encontro com a paisagem marinha e paro na Guia para um ligeiro almoço, uma volta pelas lojinhas de artesanato, pela do chá e decoração. Às vezes compro o bolo de chocolate, o mais famoso, “O Melhor do Mundo”, segundo quem o fabrica.
Uma visita à lojinha do chá, no primeiro andar da casa, é uma peregrinação obrigatória para quem quer comprar uma das dezenas de infusões ali bem divulgadas por experts.
Passar os olhos pelas plantas e flores do horto, ali ao lado, é estarmos mais perto do que a Natureza nos oferece de belo e refrescante.
E o Mar imenso! Sempre presente…

23.3.07

De Volta

O meu amigo Magude voltou, é dele este post no seu blog Mala de Porão


É sempre bom sentirmos que a amizade não é uma simples palavra para fazer bonito, e que os sentimentos permanecem mesmo entre os que se viram apenas num pequeno encontro.

Benvindo Carlos!


As malas de porão...
As malas de porão são asssim mesmo. Abrem-se para se encherem antes da viagem, abrem-se de novo no final desta. Depois permancem fechadas, refúgio de coisas que estorvam ou que num afã de esquilo guardamos, porque podem vir a servir no futuro. Coisas guardadas na penumbra da memória.Depois, um dia, a nostalgia de rever velhos retratos que o tempo tornou sépia, ou a necessidade de mostrar a um filho o que era um cavalo de pau, fazem-nos abri-los de novo. No meu caso, foi a necessidade de rebuscar, num molho de cartas cintado com uma fita de cetim azul, a morada esquecida de velhos amigos.Porque as malas podem permanecer fechadas, mas a amizade não - a amizade quer-se aberta e praticante.
Amigos, estou de volta.

21.3.07

É um Escândalo


Tenho visto ultimamente uns quantos filmes de qualidade e interesse.
Os últimos foram os “Pecados Íntimos” e “Diário de um Escândalo”, este hoje mesmo; recomendo ambos. Se o primeiro me fez lembrar "A Beleza Americana" já o segunto pertence àquele cinema de que sou fã, o cinema inglês.
Não sou sequer uma medíocre crítica de cinema, deixo-me levar pelas emoções que cada cena, cada frase desperta em mim e acabo por dar relevo a um sorriso de criança em “O Fiel Jardineiro”, à interpretação dum actor, à música aqui, à luz neste outro.

Saboreio pequenas coisas, espremidas para obter cada gota de néctar de prazer.
Àcerca do filme de hoje poderia falar de solidão, lesbianismo, predação…mas ver Julie Dench caminhar pela tela e pelos diálogos com aquele à vontade que lhe conhecemos foi já de si gratificante.
Saí da sala de cinema duplamente agradada…por ter gostado do filme e por ter bem empregue o meu tempo.
Se estavam à espera duma crítica de cinema e se vos desiludi, me desculpem, não me peçam tarefa tão ingrata e que implica saberes que não tenho.
Num filme ou num livro eu espero apenas (?) adquirir um pouco mais de conhecimento do outro e do mundo, às vezes tenho que me contentar com aquilo que já sei, dito de outra maneira, e se essa maneira for sublime, se a arte for esgrimida com qualidade, eu volto para casa com uma satisfação de coisa cumprida.

13.3.07

Voltei à Ericeira



Foi assim o meu dia de folga de hoje, a visita à linda povoação da beira-mar da Ericeira.
O almoço foi arroz de tamboril, que eu desejava já desde alguns dias...
As gaivotas enchiam o ar de seus pios e voavam entre o mar e a terra.
São estes prazeres simples que nos deixam a alma em paz e de bem com a natureza.