23.12.04
No Hospital
Um telemóvel tocara a seu lado, sobressaltando-a, precisava pensar com calma, não lhe doía nada e por isso não entendia o que fazia naquele hospital àquela hora, o relógio marcava as 14,15, quando devia estar a caminho da casa de um cliente.
As pessoas entravam e saíam, umas cambaleantes, outras de muletas e outras ainda de maca.
Nesse momento entrou uma enfermeira a chamar por uma D. Alzira, que agarrada a um rapaz jovem lá entrou para o que parecia ser um gabinete de atendimento. Ainda quis falar com ela, mas depressa se afastou para lá da porta de vaivém por onde entravam os que seguiam em macas.
Foi então que ouviu chamar pelo seu nome, o médico segurava uns papéis e olhava em redor à sua procura. Aproximou-se sem perceber muito bem o que o médico disse pois o barulho era muito naquela urgência, àquela hora.
É a senhora, perguntou, a senhora é que é a mãe da Alice... Alice, mas não vejo…a sua filha tem que ficar internada, o seu estado é grave, traumatismo craniano.
De repente foi como se a verdade explodisse dentro da sua cabeça!
O desastre! tinham tido um desastre de automóvel! o piso molhado, um guarda chuva que vindo de não se sabia de onde a obrigou a virar para a berma...do resto não se lembrava mais.
A sua última frase teria sido...vai lá atrás buscar-me o telemóvel...
20.12.04
Um certo Natal
de Reinaldo Ferreira:
Visitação
Que é do anjo das asas rutilantes
Com que lutou Jacob, na madrugada?
Que é desse outro, de falas sussurrantes,
Que surgiu a Maria, a fecundada,
Tão casta e sem pecado como dantes?
Que é da estrela, pela mão de Deus lançada
A guiar os incertos caminhantes
Ao colmo da cabana consagrada?
Onde estão os sinais que Deus envia?
Onde estão, que os procuro noite e dia
Sem nunca ver cumprido o meu desejo?
Não os vejo e não sei se eu, que os procuro,
Os não encontro porque sou impuro,
Ou sou impuro porque os não vejo.
apontamentos
As mulheres em Portugal
http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Hist_mulheres_em_portugal.htm?%23topo
para ler com atenção
( o meu amigo web diz que é melhor assim):
Ver neste site as Mulheres em Portugal
para ler com atenção
18.12.04
Aprender nos anos 40
Aqui, como podem ver, eu não era “filha da mãe”, era só filha de pai.
É o meu diploma da 4ª classe, o selo é de 5$00, o que para a época, 1943, me parece uma exorbitância.
Afinal fiz mal as contas, uma vez mais, devo ter entrado para a escola ainda com 6 anos.
Andava já na Escola Comercial quando acabou a 2ª Grande Guerra.
Era a Escola Comercial Oliveira Martins, na Rua do Sol, rapazes dum lado, raparigas do outro. Do fundo do recreio via-se o Rio Douro e a margem de V. N: de Gaia.
Já quase a terminar o 3º ano, depois das aulas, ia para o Portuense Rádio Clube dar o meu passo de dança, que sempre gostei de bailar, afinal de contas era só uma passadinha a caminho de casa.
Era chefe de castelo na mocidade portuguesa, 20 a voz de comando, chamada mais tarde de contralto da turma pelo professor, ao enunciar os artigos do código civil e comercial.
No Instituto Comercial ainda comecei a aprender alemão, mas finda a guerra, com a derrota da Alemanha, a cadeira findou e hoje apenas sei contar até cinco e pouco mais.
Mas foi antes de ter o meu primeiro namorado que me fizeram uma serenata…sim uma serenata das autenticas; já vivíamos em S.to Ildefonso e eu só assomei à janela por breves instantes a agradecer, mas o namoro foi mais tarde com um colega do Instituto, que tocava piano e que compôs uma melodia para mim, por sinal muito bonita.
Com os meus pais separados e divorciados mais tarde, era com a minha mãe que a gente aprendia a vida, as normas, as boas maneiras e o que “parecia mal” pois não se esqueçam que estamos no Porto, em meados dos anos 40.
Em 1953 deixei o Instituto para vir para casa fazer o enxoval. O que me ensinaram até aí foi o princípio do que tenho aprendido até hoje e a vontade de continuar a aprender.

