Há dias que uma pessoa não pode deixar passar sem o assinalar como um dia diferente, no mínimo. Assim foi que hoje prontinha para sair, em gozo de folga não só merecida, mas ansiosamente precisada de ser um meio de descanso e divertimento, tento abrir o carro e “nickles”, o silêncio só quebrado pelo chilrear dos passarinhos, que os há graças à pouca poluição aqui existente e algumas árvores que lhes dão guarida e a nós sombra. Cabisbaixa e pensativa recuei arquitectando estratégia, tentando ao mesmo tempo encontrar a razão daquele amuo. O calor aperta e enquanto caminho telefono à filhota na esperança que a chave que está na posse dela seja mais eficaz. Dois andares de cansaço acima eis que se me mostra infrutífera a procura no chaveiro do duplicado, sonhado ser a solução do problema. Talvez esteja na garagem, mas para lá ir “é necessário procurar no meu carro o comando”, diz ela. Dois andares a descer já seria mais fácil não fosse o tropeçar e de repente eu ter encurtado dois ou três degraus, mas deu tempo de pensar…talvez fosse da pilha! Procura-se uma ourivesaria, passa da uma, só no Centro Comercial…que não senhora, não é da pilha que até a luz acende. Se a luz acende vamos tentar de novo, talvez não carregasse bem da 1ª vez. A luz acende, mas a porta não abre. Tenta-se manualmente, mas nada de arranque…fica-se com cara de parvo(a) e olha-se em redor para ver se alguém é testemunha de tal vergonha… Foi quando ouvi uma voz vaticinando que era do código (acontece muito com esses carros) é preciso bater com a chave…espere, eu vou aí abaixo… Desceu o anjo do 1º andar do Céu e…isto é bateria, diz o anjo depois de aberta a bocarra do meu “QueLido”…a senhora vai ali (disse onde) que compra uma bateria bem mais barata, se quiser eu vou consigo que isto é como eu digo sempre “temos de ser uns para outros”, coisa de que as pessoas já se esqueceram. Eu vou só almoçar e dentro de meia hora volto e vamos lá, e não é que voltou mesmo! e como demorou um pouco mais até pediu desculpa. Deu indicações ao ajudante para não interromper os trabalhos (estava a montar um aparelho de ar condicionado), desmontou a “desmancha-prazeres” e lá fomos os dois à busca de energia…e lá estava ela, entre as manas e veio contente nos braços daquele homem simpático a quem eu não podia ofender, oferecendo-lhe uma remuneração. Foi ele mesmo que a montou e afinou e o meu carro agora pronto para o passeio gargalhou de contente. Hoje reconciliei-me um pouco com o ser humano, a minha taça de esperança ficou mais cheia apenas porque pelo menos existe um homem que não se esqueceu que “devemos ser uns para os outros”
É nesta Mala de Porão que vamos encontrar tesouros escondidos de que já vislumbramos um pouco. Ir ao porão ver esta mala é entrar em terreno fertil de contos e poesias, alargando vistas e conhecimentos Daqui o nosso abraço ao amigo!
Em nome do Amor…aos filhos, à família, à causa, ao ideal… Em nome da honra…da família, do casamento, do macho, do grupo… Em nome da justiça…pelos que se julgam donos da verdade… Em nome do progresso…com intenções obscuras e secretas ambições… Em nome da vida…condenando-a paradoxalmente a um simulacro de existência… Em nome do outro…quando só pensamos em nós… EM NOME DE... Em nome de Deus ou Alá… Castigai-os Senhor, porque sabem o que fazem…