De: JONECHIPANGUAEnviado: 20/6/2005 08:52
Xamuares, que "Xicuembo" esteja sempre convosco. Para já um abraço a todos os que revi ou vi pela 1ª vez. Não é que ao vivo somos exactamente aquilo que mostramos virtualmente. Não há engano. Não há subterfúgios. Não há virtualmente nada que não tenhamos já passado do imaginário e digital no "nós" escrito para o real e palpável no "nós" frente a frente. As lágrimas são as mesmas, as faces são as mesmas, os olhos são os mesmos... então, os abraços são mesmo os mesmos. Agora quero dar um abraço real e virtual ao Carlos Gil, Web, Webnigno, Webo... etc., pela virtuosidade do "Xicuembo" que, como todo mundo sabe, quer dizer "Deus" em todos os entendimentos que temos dessa palavra, sejamos nós beatos ou profanos. O Sr. (íssimo) Guilherme de Mello disse tudo sobre o teorema da palavra "Xicuembo". Pode-se jurar por "Xicuembo", pode-se acreditar muito e pouco em "Xicuembo", pode-se pedir e orar a "Xicuembo", mas sempre, sempre, sentimos um arrepio, coluna acima, cabelos em pé, quando ouvimos essa palavra tão Africana, tão Moçambicana... a mais Moçambicana de todas... atrevo-me a dizer. Obrigado CG por te atreveres a escrever sobre um "Xicuembo" que é Moçambique, que é o conteúdo de todas as memórias que temos desse Moçambique, que é o conteúdo de nós próprios..., fazendo ou não parte da ficha técnica de Moçambique, como dizes. No entanto, o autor, o atrevido, o corajoso, o afoito... foste só tu. Estive lá. Vi tudo. Disse muita coisa a tanta gente e a ti. Também fiquei sem palavras na mesma altura que ficaste mudo sem elas.
"Sem palavras" era o comentário que se punha sob uma imagem que queria dizer tudo por si só. E eu digo-te agora: disseste tudo com aquela imagem daquele silêncio ensurdecedor. Não há palavras para certas ocasiões e o silêncio, sentido, emotivo, é a melhor palavra. Como te compreendemos. Foi o melhor do teu discurso e de algum discurso que jamais escreveste... sem o teres escrito. Bateu forte. Bem hajas amigo, que falas tão bem no silêncio das tuas palavras, tanto como quando falas. Desejo-te tudo o que há de bom neste mundo... queria fazer apenas mais um "aparte": Teres tido o teu filho no dia do lançamento do teu livro, sem tu nem ele suspeitarem, do que um e o outro fazia... é o sinal do "Xicuembo", lá dos céus de Moçambique, que o teu livro foi abençoado e selado em sangue... digo eu que sou daqueles que acreditam que nada acontece por acaso. Parafraseando o Gonzaga "Foi um parto como o nascimento de um filho" esse teu "Xicuembo". Foi mesmo. Um abraço pata ti como aquele que só tu sabes dar a mim. Jone Chipângua, também Jorge Coimbra, também Onze, também emocionado
É amanhã!
Guilherme de Melo faz a apresentação do livro de Carlos Gil, no Palácio Galveias, 18.00h.

O gosto pela partilha
Nome: Carlos Gil
E-mail: carlos_gil@infolara.com
Nota biográfica:
Carlos Gil, hoje com cinquenta anos, é natural de Portugal e viveu em
Lourenço Marques, Moçambique, dos sete aos vinte.
É desses cheiros e sabores tropicais que tratam o seu primeiro livro, “Xicuembo”, escrita que acompanha o crescer do ‘mufana’ olhando e aprendendo com o país que também nasce e cresce à sua volta.
Textos nostálgicos mas não inócuos pois o sentir nunca o é. Memórias e
resmungos pessoais que também o são colectivas a todos os que conheceram
cenários e personagens, porventura também àqueles que, noutros ambientes,
acreditaram que as utopias existem para serem realizadas, e sofreram com as
desilusões do seu fim.
Carlos Gil é sócio do Centro Cultural Luso Moçambicano e reside actualmente
em Almeirim, lezíria ribatejana
Fui nomeada pelo MOCHO...para responder ao seguinte inquérito:
1 - Tamanho total dos arquivos no computador (apenas da música) :
R: não costumo gravar em disco, na biblioteca tenho à volta de 450 MB
2 - Último disco que comprei:
R: por incrível que pareça foi um antigo dos ABBA.
3 - Canção que estou a escutar agora:
R: o silêncio da minha rua e o canto dos passarinhos.
4 - Cinco canções que oiço frequentemente ou que têm algum significado especial:
R: qualquer um de Rodrigo Leão, todos de Yanni, do filme Cinema Paraíso- o tema principal (Dulce Pontes canta-o), concerto nº 2 de Rachmaninov(coloquei-o agora no PC e estou a ouvi-lo), Mozart por Mª João Pires e toda a música que me ajude a relaxar e claro a guitarra de Carlos Paredes.
Espero ter satisfeito a vontade dos leitores e como é minha norma não vou fazer a maldade de nomear ninguém para responder ao inquérito...lol ou por isso mesmo o XICUEMBO, se tiver tempo e disposição.
Na rádio, anos 40 e 50, ouvia-o declamar.
Dedicado ao folclore, recordo um dos seus poemas:
O Bailador de Fandango - Pedro Homem de Melo Sua canção fora a Gota.
Sua dança fora o Vira.
Chamavam-lhe "o fandangueiro".
Mas seu nome verdadeiro
Quando bailava, bailava...
Não era nome de cravo
Nem era nome de rosa;
Era o de flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava...
E havia um cristal na vista
E havia um cristal no ar
Quando aquele fandanguista
Se demorava a bailar!
E havia um cristal no vento
E havia um cristal no mar.
E havia no pensamento
Uma flor por esfolhar...
Fandangueiro! Fandangueiro?
(Nem sei que nome lhe dar...)
Tinha seus braços erguidos
Não sei que ignotos sentidos...
- Jeitos de asa pelo ar...
Quando bailava, bailava,
Não era folha de cravo
Nem era folha de rosa.
Era uma flor, misteriosa,
Que se esfolhava, esfolhava...
Que se esfolhava, esfolhava...
Domingos Enes Pereira,
Do lugar de Montedor,
(O bailador de Fandango
Era aquele bailador!)
Vinham moças de Areosa
Para com ele bailar...
E vinham moças de Afife
Para com ele bailar.
Então as sombras dos corpos,
Como chamas traiçoeiras,
Entrelaçavam-se e a dança
Cobria o chão de fogueiras...
E as sombras formavam sebe...
O movimento as florira...
O sonho, a noite, o desejo...
Ai! belezas da mentira!
E as sombras entrelaçavam-se...
Os corpos, ninguém sabia
Se eram corpos, se eram sombras,
Se era o amor que se escondia...
E ainda:
Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.
Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.
Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.Vasco de Lima CoutoPosté par retratosdumavida.