27.10.14

OS DEDOS E AS TECLAS

 
 
 





Os dedos e as teclas

Os Dedos e as Teclas brincavam sozinhas na noite, feitas crianças traquinas, jogos de poemas e prosas, de segredos e contos de encantar!
Eram filhos do Coração e da Mente, os Dedos, e de Computador e Internette as Teclas...
Os pais dos Dedos, já idosos, alegravam seus dias vendo seus filhos brincar, suas correrias sem fim e os abraçavam ao cair da noite no seu peito carinhosa
mente, e eles os acariciavam ao de leve nos seus rostos onde as rugas escreviam estórias que a vida lhes segredava.
Pais das Teclas eram jovens ainda, sempre em constante azafama, sempre muito ocupados nas suas funções de "garatujar" tudo o que lhes pediam, eram de certa forma escravos da modernidade...

É na noite que te encontro
No meu peito adormecido e
na sobra dos escombros
nos unimos...



 

20.10.14

DIVAGANDO



À sombra de Florbela Espanca...

Eu perdi-me de mim,
Do meu destino.
Este que eu vivo não é meu,

Foi-me emprestado.

Fugi de mim,
E na minha fuga,
Deixei para trás os sonhos
De mim mesma...

(foto de Teodora Biel)

20.9.13

Um conto para Andreia




Um conto para Andreia

 

Tinha um sorriso no rosto como quem acaba de vir de férias, que era o caso. Gostou de voltar ao trabalho, ao convívio dos colegas. Naquele primeiro dia tinha conversado, contado pormenores da estada em Espanha com o marido e filhote. Ricardo tinha agora 4 anos e apesar de lhe ocupar muito tempo e atenção não conseguia separar-se dele nem nas curtas férias fora de Portugal.

Durante aquela primeira manhã ficou a par de todo o expediente atrasado, atendeu alguns clientes, nada de muito complicado. Trabalhava já há alguns anos no ramo e sentia-se à vontade com os meandros dos processos.

À hora de almoço juntou-se a uma amiga que trabalhava ali perto e ambas foram ao Centro comercial comer algo ligeiro, o tempo não era muito e uma dieta depois de muitas refeições em restaurantes era o mais indicado e o que mais lhe apetecia.

Uma volta rápida pelas montras, tudo em saldos, algumas novidades já para o Inverno, mas nada que a tentasse.

Quando voltou a sentar-se à secretária já tinha duas pessoas para atender, uma com um caso simples de pagamento duma factura em atraso e uma reclamação. Tinha vindo de férias, a manhã tinha corrido bem, a conversa ao almoço fora agradável, mas não só por isso, era seu lema ouvir atentamente as queixas que lhe eram apresentadas. Infelizmente este caso era complicado e era necessário que o chefe analisasse o assunto, apaziguou o cliente e comprometeu-se dar-lhe notícias logo que fosse possível, com a promessa de que lhe daria a prioridade que merecia.

A terceira pessoa a entrar era uma senhora de idade, acompanhada da filha, que queria alterar um contrato que tinha com a Companhia e que, disse, lhe era difícil de cumprir na situação actual. Depois de simulações, escolhas e decisões lá chegaram a acordo e até se falou de internet, de opções, ocupações, sim, que as saudáveis relações comerciais sempre deveriam ser assim.

Assinado que foi o contrato a contento de todos, cliente e companhia, Andreia sorriu o seu sorriso lindo, que nada tinha de profissional, mas humano face à senhora cuja idade lhe fazia lembrar sua avó. Sorria ainda quando já à saída Dona Th lhe prometeu escrever uma pequena “estória” e mandar-lhe por email. Sorria ainda quando ao jantar, depois de deitar o filho, contou ao marido aquele encontro, a promessa de que era céptica por tudo o que a vida lhe tinha ensinado.

 

Andreia, às vezes nós precisamos de acreditar para sentirmos o que é a felicidade, por que ela está na confiança e na Paz!

 

(como lhe disse, sem grandes correcções, deixei que os dedos pousados no teclado me levassem neste gostoso cumprimento de uma singela promessa. Seja Feliz!)

 

Escrito às 2,06 h do dia 20-09-2013 por Theo Leiroz Biel

28.8.13





Ligações

Tinham já ultrapassado os anos das angústias, da procura dum outro, idealizado, da paixão ou mesmo do Amor, ambos tinham enfrentado a possibilidade de terem um encontro com a harmonia.
Sem o saberem tinham viajado só porque sim, porque era verão, para fugir à rotina, ao bulício das cidades onde viviam, apetecia-lhes o verde. O verde dos campos sem fim, com papoilas que iriam mais tarde fertilizar solos e eram tema de fotos para mostrar aos amigos.
Viajavam sós, como quem quer trazer na bagagem apenas uma muda de roupa, umas chaves para voltar e pouco mais…
Raul tivera, desde Janeiro, que enfrentar o fim duma relação de alguns anos, a separação do filho cujas asas o levaram para longe carregando um projecto promissor e um pequeno problema de saúde.
Eduarda, vivia sozinha na sua viuvez de longos anos, apaziguados nos raros momentos de prazer, que de algum físico pouco tinham de sentimentos.
Raul caminhava horas a fio e só parava quando estava cansado e pés doridos, aí se quedava a olhar as montanhas, os prados verdes e os girassóis ao longe!
Não procurava nada, mas sempre esperou encontrar alguma coisa, e finalmente quando voltou para o seu estúdio empoeirado sentiu que afinal tinha valido a pena, porque se sentia que tinha ultrapassado uma fronteira, a do torpor mental e físico junto com a decisão de mais não procurar.
Quando Eduarda, carregando sacos de compras no mercadozinho da esquina, depois de umas férias desastrosas e já na sua nova casa, tropeçou no sinal de “Seguir em Frente” não imaginou que ele apenas estava ali, à porta de Raul, para que ambos se olhassem depois de ele a ter ajudado a levantar-se e compreendessem que sempre esperamos o carinho para continuar o resto do caminho.

theo, 28 de Agosto de 2013


(Para o José A) 
  ( \__/ )
  (=º_º=)
   (")_(")theo

28.5.12


Sou um Falcão
 
Tenho bico de rapina.
minhas asas p'ra voar,
meus olhos para alcançar
um horizonte distante.
Minhas penas coloridas,
meu pairar no ar sem fim
fazem de mim um falcão,
que veio nascer aqui,
por sorte ou porque o destino
me deu como ninho d'ouro
os olhares do vosso afago.
( foto de Pedro Berkeley Cotter)