6.2.10

"Alguém me contou..."



" O Regresso dos Demónios"

...era quarta-feira...os monstros da semana chegavam devagar, os sons, os gestos, as dores...

( continua no
Postado a Limpo )


5.2.10

A Rosa Lobato de Faria


Numa singela homenagem a uma Senhora que nos deixou,

uma canção que ela escreveu, pouco conhecida, e que me foi oferecida por um amigo, que a canta, em fado.

(Foi tirada directamente do CD, motivo pelo qual a pontuação e métrica podem não estar correctas, e peço desculpa.)



ROMEIRO

Romeiro fui de terra em terra,
De bar em bar de porto em porto.
Andei no Mar, andei na guerra.
De mão em mão, de corpo em corpo.

Pisei salões, caí na rua.
Estive no Paço e na prisão.
Dias com Sol, noites sem Lua,
E não achei consolação.

E agora apenas quero Paz,
Olhar p’ra trás
Dizer Adeus.
E ver a calma que persigo,
Em paz comigo
Em paz contigo
Em paz com Deus.

Perante o mal, fiquei inerte.
Tive um punhal, não ataquei.
Andei cansado de perder,
Tive um amor e não me achei

Ninguém me disse quem eu era
Nem porque vim aqui parar.
Passei a vida à tua espera
Quando te vi não soube amar.

E agora apenas quero Paz,
Olhar p’ra trás
Dizer adeus.
Viver a calma que persigo,
Em paz comigo
Em paz contigo
Em paz com Deus.

Lembrando...


A sua benção, meu pai!
Faria hoje 102 anos.
Tal como minha mãe, aquário de signo, como eu.

27.1.10

Subtis Lembranças



(Foto minha com o avô Eduardo)

Foram as palavras certas, como uma chave que abrisse o passado cheio de ferrugem.
Rangeram as palavras aprisionadas num resignado esquecimento,voltaram os tempos das lembranças, os 30 e 40, os da minha meninice.

Teria quatro, cinco anos? o avô materno, homem sereno de voz tranquila, tinha morrido.
Sempre me lembrava dele sentado numa cadeira ao pé da braseira na loja de minha mãe, ou à fornalha da oficina onde batia chapa.
Os pais decidiram levar-me para casa da minha avó paterna nos primeiros dias de luto, fazia-se uma mala com a roupinha necessária, em cima duma cadeira junto à porta do quintal.
Poucos dias antes minha mãe comprara-me uns "soquetes" de uma das cores do arco-íris, vermelhas ou amarelas, disso já não me lembro, fui buscá-las e coloquei-as na mala, mas a mãe disse que aquelas eram muito garridas e nós estávamos de luto (as crianças naquela época vestiam de negro também) e voltou a metê-las na gaveta.
É a lembrança mais antiga, SEI exactamente onde voltei, sorrateiramente, a esconder os soquetes, escondidos debaixo da roupa, na mala que estava em cima duma cadeira, junto à porta do quintal.
Não esqueci também o sorriso meigo de minha mãe, que tudo viu, e deixou que uma das cores do arco-iris fosse mais importante do que o negro do luto, afinal eu era uma menininha e tinha muitos anos pela frente para ter saudades do olhar meigo do meu avô, que espreita agora através do sorriso do meu filho.

Modestas palavras estas que dedico a quem me fez lembrar e escrever a mais antiga lembrança duma vida já longa de quase 77 anos,
para ti "bettips", com um beijo,
theo

24.1.10

A minha Mãe



Faria hoje 100 anos, a minha mãe.
e no meu coração, com muita saudade,
acendo a lamparina

a Santa Rita, de quem era devota.