17.3.06

Os Filmes II



Deixei para o fim, sem qualquer premeditação, três filmes, dos que eu considerei dos melhores e que se baseiam em vidas ou factos reais.

São eles:

Munique,
Capote,
e Mrs. Henderson



Munique consolida a minha opinião de que violência gera violência e o conflito Israelo-árabe está longe de encontrar solução. Mas quem sou eu para falar de política, desta “guerra santa” feita nas oficinas clandestinas de bombistas, defensores de causas perdidas.
As dúvidas finais confirmam a minha opinião do início.
É um óptimo filme, é um Spielberg…



Há filmes que apesar de não me agradarem no todo, deixam em mim uma marca indelével, mas “Capote” foi o filme que me deixou vontade de ver segunda vez, quanto mais não seja pela interpretação magistral de Phillip Seymour Hoffman.
O sentimento dúbio, contraditório em relação ao criminoso, principalmente já no final, enquanto decorre a espera até à execução é daqueles sentimentos que só quem o experimentou sabe o quanto ele pode ser destruidor.
O que aconteceu ao escritor depois desta experiência pode bem ser resultado deste envolvimento profundo e desequilibrante.



Deixei para último lugar, propositadamente, Mrs. Henderson e o seu teatro de vaudeville.
Podia dizer simplesmente: é cinema Inglês, teatro Inglês, e considerar tudo dito. Mas não falar de Judie Dench era uma indesculpável lacuna. A sua interpretação é tão admirável, (como sempre), que qualquer franzir de olhos menos adequado seria razão para reparo.
Sou fã incondicional das produções da Velha Albion. O seu humor refinado, muito British, o seu não comprometimento com soluções rebuscadas para agrado do grande público, (vide “Pearl Harbor”, cujo final desgraçou completamente o filme), o cuidado e mestria no guarda-roupa e reconstituição de épocas passadas justificam a minha preferência.

O "Boa Noite e Boa Sorte" ficou para ver na próxima semana.

th

16.3.06

Os Filmes

Anda todo o mundo a ver os filmes que aqui ou acolá, por este ou aquele motivo, i.e.. que por nomeações diversas tenham sido galardoados com um Óscar.
Não por esse motivo, mas por saber que alguns deles são de não perder, tenho ido ultimamente mais ao cinema.
Sem querer armar em crítica, que é campo onde não meto enxada para não estragar a sementeira… vou transmitir aqui algumas impressões que me deixaram certas películas, pelo que teem que ter em conta que são meras sensações pessoais, sem nenhuma técnica ou profundidade.
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Desta série o primeiro que vi foi “Memórias de uma Gueixa”. É um filme bonito, retrata uma realidade que está para mim longe no espaço e no tempo, cuidado ao pormenor e que mereceu o Óscar de melhor guarda-roupa. Deixou-me um amargo ao pensar naqueles amores impossíveis de jovens dedicadas ao prazer masculino, nem sempre físico, é certo, mas que não as deixava livres para poder amar o homem dilecto, quando o prazer da conquista lhes não é negado, muito pelo contrario é incentivado e pode mesmo ser uma prova a ultrapassar.


· “Transamerica”foca um tema dos que actualmente fazem parte da maioria dos filmes nomeados: a homossexualidade, o terrorismo, a política…sendo no entanto sobre o transformismo, tem à mistura a pedofilia e a prostituição masculina pedófila e homossexual. Não consegui alhear-me do facto de estar a ver um filme, o que não abona a favor do mesmo. O desempenho de Felicity Huffman é de tal maneira convincente que tive dificuldade em ver na sua personagem uma mulher a representar. Só compreendo que não tenha ganho o Óscar de melhor interprete para que não tenha sido repetido o critério que de certo presidiu à nomeação de Philip Seymour Hoffman.
Eu sei que o mundo está podre, mas fazerem cair sobre os ombros de um jovem tanta desgraça (foi violado em criança pelo padrasto, descobriu o cadáver da mãe que se tinha suicidado, começou a prostituir-se quando fugiu de casa e a drogar-se e para cúmulo descobre que o pai é um transformado a caminho da última operação para se tornar mulher…), é uma maldade muito grande…
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“O Fiel Jardineiro” já tinha visto antes das nomeações e não assisti ao começo do filme pelo que pouco vi da interpretação de Rachel Weisz.
Vou repetir o que senti no final do filme, o que levou um comentador deste blog a dizer, e faço copy: Anonymous said...
Esta é a mais merdosa crítica de cinema que já li...
Quando o avião parte para aquela que o Jardineiro escolheu ser a sua última viagem, é o sorriso e o olhar (aqueles inocentes olhos negros) das crianças que tocam fundo na minha alma e a ter esperança, apesar de não a haver para elas.

A história de amor, que é forte, justifica a violência de certas imagens, que por sua vez nos dão a dimensão da tragédia provocada por interesses, sempre inconfessáveis.


De “Match Point” , de que vi apenas a primeira parte, já que uma urgência me impediu de ver o resto do filme, posso só dizer que muito ao de leve parece um filme de Woody Allen e Londres, que aqui aparece através da câmara enamorada da cidade, é sem dúvida a protagonista principal.


Adenda: De "Capote" e "Mrs. Henderson" direi um dia destes o que me foi dado observar...

10.3.06

8 de Março



O meu 8 de Março tem a ver com aquelas mulheres que lutaram e continuam a lutar pelos seus direitos. É uma homenagem às que, ao longo dos anos e em todo o Mundo, até morrem pelos seus ideais e pela justiça.


..."Foi no bojo das manifestações pela redução da jornada de trabalho que 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova Iorque, cruzaram os braços e paralisaram os trabalhos pelo direito a uma jornada de 10 horas, na primeira greve norte-americana conduzida unicamente por mulheres. Violentamente reprimidas pela polícia, as operárias, acuadas, refugiaram-se nas dependências da fábrica. No dia 8 de março de 1857, os patrões e a polícia trancaram as portas da fábrica e atearam fogo. Asfixiadas, dentro de um local em chamas, as tecelãs morreram carbonizadas..."

(...resultado da minha pesquisa na net)

27.2.06

Por ser Carnaval...


stou positivamente de ressaca…
Como escrevi há dois dias era minha intenção passar pela dita vivenda e ver se alguma coisa de estranho se passava no local onde Alberto era avisado de não aparecer, se não queria “levar um tiro”, dizia o bilhete.
Informei-me da localização, o caminho a seguir e lá fui, armada em detective, deixei o carro a uma distância razoável e segui a pé. Quando voltei a casa trazia informações que davam uma telenovela.
Alberto esperava-me ansioso, mas eu apenas lhe disse que tínhamos que lá voltar no dia seguinte para confirmar uma coisa. Tinha que ser ao fim da tarde, quando começasse a escurecer.
E assim foi. Lá o convenci a levar um fato escuro e eu vestia um casaco comprido que escondia um lindo vestido de noite. Mal escureceu pusemo-nos a caminho, como de costume deixamos o carro a uma confortável distância, mas desta vez menos longe, num desvio perto do portão da entrada.
Sem que Alberto visse toquei três vezes à campainha…
Estranhamente o portão estava aberto, entramos…de imediato holofotes se acenderam e ficamos debaixo de uma luz crua, brilhante e intensa…meio cegos avançamos, embora me parecesse que Alberto estivesse bem mais disposto a virar costas e fugir. Foi quando já tínhamos dado alguns passos que se ouviu distintamente um coro de vozes cantando Parabéns a Você…era o aniversário do querido primo Alberto, para o qual tinha sido engendrada toda esta farsa.
Só o tinha sabido no dia anterior, tinha sido pegada a bisbilhotar pelo Júlio e Sara, que afinal não tinham ido para lado nenhum, e me explicaram toda aquela tramóia arquitectada para festejar os 50 anos de Alfredo.
Quase tinha sido uma tragédia quando um vizinho, estranhando toda a azáfama na vivenda desabitada, chamou a polícia.
Foi uma festa linda, com gente bonita e amiga.
Mas como devem calcular, e como já disse, estou positivamente de ressaca…
Mas por ser Carnaval Alberto não levou a mal, pelo contrário, passado o susto simplesmente adorou!