11.12.05

O Quadro


O Bar finalmente abrira!
A decoração estava sóbria como entendia que devia ser uma decoração de um bar de convívio.
As colunas de som bem distribuídas transmitindo a música ambiente que era de desejar numa casa como aquela, requintada e cuidada ao gosto de clientela que se esperava especial.
Nas paredes alguns quadros, faziam parte duma exposição que estivera já numa galeria sem grande sucesso.
Aqui, na penumbra do bar, as cores eram mais dramáticas e o movimento das formas mais ousado, com sombras significativas aqui e ali.
Eram ao todo oito, de diversas dimensões, que se uniam entre si por um fio condutor de um único tema: “O Grito”.
Pertenciam a um pintor anónimo e principiante que, dependendo da aceitação do público poderia vir a ser um dos pintores da moda ou não, e claro do mecenas, dono do bar.
Os primeiros dias foram eufóricos, com gente entrando e saindo, convívio alegre e “gay”, sem pleonasmo…
Aos poucos o ambiente foi ficando mais íntimo, mais propício à convivência calma de uma boa tertúlia, o tempo necessário para deitar um olhar em redor e reparar na angústia daqueles “gritos” pendurados à espera dum olhar mais atento.
Havia um, em especial, que chamava a atenção de quem circulava pelas paredes um olhar curioso, o grito da hiena, cabeça de mandíbulas abertas num apelo enigmático, a morte espalhada até a um pôr-do-sol deslumbrante.
Foi o único que foi roubado naquela noite em que o bar foi assaltado por um bando que destruiu tudo o que era possível de destruir, deixando junto do pintor, inconsciente, os gritos dilacerados, espalhados pelo chão.

10.12.05

O 3º debate.



Tenho gravados os dois primeiros, mas ainda não vi.
Este, na RTPN, acabei agora de ver.
Cavaco Silva não olha os interlocutores de frente, o seu olhar é dirigido para baixo, como se estivesse num plano superior, apesar da sua manifesta falta de confiança, mãos que tremem, denunciando um certo nervosismo. O seu discurso sempre fugindo para a governação, embora um alerta interior o corrija de vez em quando.
Francisco Louça tem o dom da palavra e o conhecimento dos dossiers. Como deputado está melhor informado e expõe de forma mais clara os seus pontos de vista.
Falo de dois candidatos em quem não votarei, eu, sem o dom da palavra e sem o conhecimento da política como conviria, que me perdoem os meus leitores.

9.12.05

Fui deitar o Sol!






Hoje fui deitar o Sol nas ondas do Mar.

ficou o azul na água,

E o adeus no Céu!

Análise

Perdi um pouco o ritual…
Perdi um pouco de incentivo.
A descoberta deixou de ser aquele brinquedo novo que me deixava absorvida até o dia raiar.
A net!
Passeei muitas vezes pela noite adentro de mão dada com as palavras, ideias que surgiam às vezes já quando o sono queria tomar conta das minhas pálpebras, em batidas compassadas.
A net!
Começaram a aparecer as pessoas, tornaram-se reais, algumas delas.
O passado em simples narrativa, tão aliciante para alguns, o meu passado, por mais passado do que o deles, foi pretexto para elogios e grandes cumprimentos.
Eu estava contente comigo mesma e os outros também, e eram disso causa.
Veio depois o hábito, a habituação, e daí ao vício foi um passo. Não sendo mulher de vícios fui aos poucos alterando os passos, voltando aos antigos costumes, não deixando porém de ficar presa ao que se passava na net.
Numa idade em que as coisas se passam mais rápidamente, ao contrário do desenvolvimento das células, fui aos poucos deixando que o deslumbramento fosse ultrapassado, e aqui me surge uma dúvida…pela preguiça ou pelo stress?
Algo veio tomar conta das minhas horas, daquelas horas de lazer que me traziam até aqui, inventando “estórias”. “Mexer-me” para o que é essencial exige de mim toda a energia disponível. Daí que os últimos posts sejam pobres e desmotivados.
Creio que nestas situações o único remédio é deixar o tempo passar e esperar que os neurónios se recomponham, quiças não sobrecarregar a mente à procura pelo meandro da imaginação daquilo que, estou certa, virá naturalmente, depois da casa arrumada.
Aqui ou ali vou dando conta do estado da situação, na medida do possível.

5.12.05

Ainda o Outono


Do Outono
há folhas caídas pelo chão,
com que o vento brinca
e saudades dentro de nós.
A luz é difusa,
os dias pequenos,
os meus passos me levam
ao futuro incerto...