5.7.05

Que fazer?

Poveiros?
Largo dos Poveiros
R S. Ildefonso
A Cidade Surpreendeu-me...

Sabor Amargo!

r. do BonfimHoje estou neura de verdade, já quis colocar aqui uma foto para ilustrar um sonho que tive e não consegui; entretanto a sensação que tinha quando acordei desvaneceu-se e já não tem a mesma acuidade.
Tinha voltado à rua do Bonfim, onde mais uma vez o espectáculo das casas abandonadas e a desmoronar-se me deixavam os olhos tristes e alma a chorar.
A rua, deserta, abria-se para mim na sua pobreza e eu procurava os cantos iluminados onde a minha infância tinha decorrido não muito alegre mas inocente e ainda esperançosa.
Percorria a rua, deserta, à procura de alguma coisa que me trouxesse o sabor de outros tempos e…
Acordei com o sabor amargo!

(mas hoje consegui: 8/7)



3.7.05

Ciúme

Logo que li o post do Bê, senti desejos de falar sobre o ciúme e lembrei-me do que li no livro do Alberoni, Enamoramento e Amor.
Ciúme pressupõe sentido de posse, insegurança, prepotência e todos aqueles sentimentos que provocam dor, sofrimento e desgaste numa relação.
Algo parecido com o ciúme é a angústia de perder o outro para alguém que o vai subtrair às nossas carícias, imagina-lo a dedicar-lhe sentimentos que só queríamos para nós.
Mas a partilha do Amor é algo novo, bem mais difícil de compreender e especificar. É aquele sentimento que nos deixa livres e deixa livre o outro, porque na troca de sentimentos nós sabemos o quão importante somos, na certeza do lugar que ocupamos.
Não é nem menos Amor nem menos sentimento, pelo contrário, é estar arrumado dentro de si, sem egocentrismos.
Pena é que para conseguirmos esta libertação tenhamos que passar por grandes provas, dolorosas provas, condimentos que tornam a nossa personalidade quiçá mais verdadeira, sem aqueles mesquinhos sentimentos de posse e insegurança.
Até que ponto o “ciúme” também se está modificando, descobrindo-se como um sentimento não aprisionável da personalidade do outro, mas como uma faceta mais subtil, mensurável do Amor.
Num mundo onde há tanto desAmor seria bom que pudéssemos partilha-lo mais, e com isso fossemos mais felizes.

2.7.05

Relações humanas

Sobre as relações de hoje em dia, o escreveu, e eu concordo, o seguinte:
Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão a passar por profundas transformações e a revolucionar o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual existe individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona as suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se for manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos a trocar o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão a perder o pavor de ficarem sozinhas, e estão a aprender a conviver melhor consigo mesmo. Elas estão a começar a perceber mesmo que sejam frações, são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos a entrar na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar a sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. Ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. O nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é a nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir a sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele torna-se menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

O Velho Burgo

Isto de uma pessoa prometer uma coisa é sempre complicado, principalmente se faz questão de cumprir, por uma razão de honra, aquilo a que se comprometeu.
É o caso de eu ter dito que após colocar aqui as fotos da minha ida ao Porto as palavras viriam, naturalmente, para dar mais colorido à narrativa fotográfica.
Só que por vezes somos ultrapassados pelos acontecimentos, e por isto ou por aquilo a promessa fica adiada e nem sempre tem já actualidade.
Por esta mesma razão vou só colocar aqui uma pequena resenha daquilo que se me ofereceu ver e sentir, que isto de sentimentos não são aquelas pequenas estórias com que me propus aqui brincar um pouco.
A MINHA CIDADE ESTÁ VELHA!
E pior do que isso, está degradada, mal cuidada, há coisas lindas que se vão perdendo.
O parque habitacional está ao abandono, prédios inteiros, no centro da cidade, esventrados, a cair aos bocados, senão só as fachadas restam. Lojas que outrora foram de comércio promissor são hoje assaltadas por vandalismos de toda a sorte.
Mostrei-vos a casa onde nasci, escorada, sabe-se lá desde quando e até quando; a Escola Primária, talvez por estar instalada no edifício da Junta de Freguesia, está bem conservada e tem lá, se não me engano, um infantário. Já da Antiga Escola Comercial de Oliveira Martins, há muito demolida, na Rua do Sol, resta apenas a entrada que dá para um terreno baldio onde um gato lazarento se espreguiça ao Sol e uns sem abrigo estão instalados à sombra da estrada aérea que atravessa o antigo recreio. Depois da casa do Bonfim fomos morar para Stº Ildefonso, casa que está recuperada e em muito bom estado, até a grade do terraço é a mesma.
Em compensação há coisas muito modernas e muito bem conseguidas como é o caso do Metro, que é em grande parte à superfície, muito eficiente, sendo a Estação de Campo 24 de Agosto, local digno de visita recomendada.
O Funicular leva-nos Guindais acima e abaixo, proporcionando-nos uma vista deslumbrante. Enquanto descemos podemos ver já a Ponte D. Luís I coberta de andaimes, a ser preparada para receber o Metro.
A Foz é sempre aquela beleza, percorri a costa desde a paragem do Aquário (fui de autocarro da paragem do Metro, em Matosinhos) até um pouco antes de onde era o Restaurante Varanda da Barra. A velhinha Pérgola, na sua curva dengosa precisa apenas de um pouco de maquilhagem e as praias estão gostosas, e o Mar…ai o Mar da minha terra é tão bonito!!!
A Rua Stª Catarina estava animada, turística, com o Café Magestic aberto para a rua, assim eu pude fotografar o seu interior. Gostei de passear e almoçar no Bolhão, o velho Mercado parece que vai ser remodelado e só espero que poupem a sua linda escadaria. A Estação de S. Bento é um regalo para os olhos, já aqui falei dos seus azulejos, e como a mim mesma prometi, fui à procura das miniaturas…e lá estão elas!
A noite de S. João esteve muito animada e o fogo de artifício, principalmente o de Gaia, foi Luz e Espanto! Há muito não passeava de Alho-porro pelas ruas do Porto, em noite de S. João e gostei.
Foi o encontro procurado e o possível reavivar recordações, mas o presente é o que realmente me importa, o que resta na minha memória do meu tempo de menina é muito estimado, tem um lugar próprio e não é o desgaste de hoje que o vai alterar.
Talvez por isso conservo ainda uma certa inocência de jovenzita, um espanto perante o mundo novo, uma certa credulidade. E assim quero continuar…


(não deixem de ver as FOTOS neste grupo, são sete páginas)