
Por causa deles, ao Domingo, namorar só em casa que a rua era para sopeiras e magalas, dizia a minha mãe, que nunca me deixou sair ao Domingo com o namorado.
Maria, que era corcunda, e me ensinou a dançar enquanto cantávamos:
Micas!
Compra-me uns sapatos,
Que sejam baratos
P’ra dançar o charleston...
Nunca foi nossa "sopeira", foi sim a nossa criada de fora, que as havia de dentro também, eram as que tinham cama, mesa e roupa lavada, a troco de todo o serviço.
Tinha casado tarde, e logo que pôde montou o seu próprio negócio, fazendo doces e salgados para festas, casamentos e baptizados como fariam muito mais tarde, depois do 25 de Abril, quantas para sobreviver, as senhoras burguesas, e não só, despojadas que foram dos seus bens e terras, divorciadas dos altos executivos saneados. Muitas dessas senhoras ajudadas pelas tais criadas da (pela) família.
Depois eu cresci e já no pós-guerra, fui estudar à noite, e ajudava a minha mãe na lide da casa, pelo que dispensamos a já nessa altura chamada de empregada e me tornei assim muito “prendada” e no que então se designava por "um bom partido". Um ano antes de casar deixei os estudos e comecei a bordar o enxoval... (suspiro)!


