6.12.04

Carta a uma cartomante

D. Farrusca ou Patuska: desculpe é que se a algumas pessoas dá a branca a mim já dá a negra, que é muito pior, esperem pra ver...
D. Patarusca é que eu tenho andado muito por baixo, está a ver e para vir cá a cima é muito difícil que os transportes estão em greve!
E depois o meu caso é de todos o mais difícil já que eu não sou uma, nem duas, nem três, que já lhe perdi a conta, ela há a esponja mais a expertinha, sem falar na mamana, a Mi_bisa, a Behaba, a kuskas Augusta, a kk2 e se esqueci alguma, ela que me desculpe.....sim que elas me pedem contas todos os dias daquilo que fizeram durante o dia.
Ainda ontem tinha uma dor de cabeça "alucinante" por causa do barulho que elas faziam a discutir àcerca de mangussos, assunto sobre o qual nenhuma estava de acordo e se reprovavam mutuamente.
E depois se umas estão em baixo, há outras que estão em cima, e é vê-las num corropio de cima baixo e de baixo para cima.

Diga-me D. Fatuska qual é a solução para este "club", sim que isto é mais isso que uma pobre mulher de provecta idade, porque não adianta fazer delete em qualquer delas, que elas aparecem sempre que abro a porta do pc...pior que virus, parece que se multiplicam quais metástases!
E vou outra vez para baixo, que já ouço vozes e não me apetece aturar nenhuma,
Atenciosamente,
th

4.12.04

dois

A dor sofrida

é a que se trata na intimidade

3.12.04

Foi Natal

A menina de quem o pai diria mais tarde ao noivo:
tome bem conta dela que é uma mulher muito sensível..., dormia no andar de cima, na casa da avó.
E era bem verdade, tão sensível era que noite em que acordasse quando o pai chegava tarde a casa, era noite de zanga entre os pais.
Começava por ouvir o pai batendo as portas e logo a seguir a voz da mãe bem alto mas sem palavras, pois era mais um choro que lamento.
Nunca o pai levantara a mão para sua mãe, nunca ouvira que ele a insultasse, mas as discussões eram cada vez mais assíduas e mais graves.
Os tempos eram difíceis pois na Europa prolongava-se uma guerra que já se alastrava para leste.
Os racionamentos eram para todos os produtos essenciais e bichas formavam-se às portas das mercearias e estabelecimentos afins.
As crianças crescem depressa nestas condições e esta menina, apesar da pouca idade, começava a compreender que alguma coisa muito errada e muito séria se passava em casa de seus pais.
E foi naquela noite de Natal que a zanga maior separou pai e mãe, pois ele, disse, tinha negócios lá fora a tratar.
O Menino, em suas palhas deitado, deve ter estremecido!
A mãe só disse: negócios na noite de Natal?!
As crianças, a menina e seu irmão, olhavam tristes um para o outro, prevendo zanga grossa...
O pai acabou por sair, batendo a porta, a mãe ficou a chorar enquanto as crianças se iam deitar sem que o Menino Jesus tivesse chegado!
E foi por isso que a menina ainda hoje não gosta do Natal!

2.12.04

Desenhando

Ameaçando tempestade, nuvens negras apareciam ao longe, apesar do Sol ainda iluminar todo o jardim.
Havia flores de todas as cores enchendo canteiros inteiros. Uma fonte, ao meio, fazia ouvir o repuxo da água onde os passaritos cantavam.
Um baloiço ainda oscilava fazendo pensar que ainda há pouco fora motivo de brincadeira.
Folhas caídas pelo chão eram o prenúncio de em breve o Outono ir chegar, trazendo com ele os dias calmos, convidando à leitura e meditação.
A um canto a lenha estava pronta para a lareira que em breve apeteceria acender!
A varanda, coberta, com suas cadeiras de verga e almofadas amarelas e mesa para o chá ou um pequeno-almoço, quem sabe...
A música de Debussy poisava pelos cantos, oferecendo ao ambiente a atmosfera de que gente requintada gostava de se rodear.
E como que antecedendo os trovões que se avizinhavam, ouviu-se o barulho de um motor de um carro, que chegava.
.......
a estória vem depois, os actores ainda não entraram em cena...
que isto é apenas um décor possível para uma peça de teatro

1.12.04

um

enquanto a vida se esgota,

eu vou ficando mais triste!